Diário Virtual
13.08.2009

Qual é o ladrão que hoje em dia teria o topete de entrar numa delegacia de polícia, puxar conversa com os policiais e sair pela porta principal como se nada tivesse acontecido? Pra fazer algo desse tipo só mesmo o lendário assaltante de bancos John Dillinger, que se tornou Inimigo Público N°1 da América, durante o final da Grande Depressão e início do New Deal.

Public Enemies

A figura carismática de John Dillinger já foi explorada por Hollywood em filmes nos quais ele era o protagonista, como Dillinger – Inimigo Público n° 1 (1973), de John Milius, e outros em que ele fora apenas co-adjuvante, como Assassino Público Número Um (1957), de Don Siegel, onde Mickey Rooney encarnou o comparsa de Dillinger, Baby Face Nelson.

Visando mostrar o jogo de gato e rato entre John Dillinger e o investigador federal Melvin Purvis, o diretor Michael Mann (Colateral, Miami Vice) adaptou o romance de Bryan Burrough “Public Enemies: America’s Greatest Crime Wave and the Birth of the FBI, 1933-1943” e fez um filme de gângster elegante e convincente, embora historicamente impreciso em algumas passagens.

Inimigos Públicos (Public Enemies – 2009) foca os anos de 1933 e 1934, quando Dillinger (Johnny Deep) consegue fugir da Prisão de Lima, em Ohio, libertando alguns membros da sua antiga gangue. Ele passa a estabelecer conexões com o crime organizado para saber que bancos são mais rentáveis e valem à pena serem assaltados. Nesse mesmo período, Melvin Purvis (Christina Bale), que fazia parte do grupo de investigadores comandados por J. Edgar Hoover, os G-Men (grupo esse que se tornaria o FBI), consegue capturar Pretty Boy Floyd e segue na trilha de Baby Face Nelson e John Dillinger.

Inimigos_Publicos
Johnny Deep faz um Dillinger gentil, honesto, brincalhão, um tanto quanto presunçoso e arrogante, mas que se deixa cair de amores por uma moça chamada Billie Frechette (Marion Cotillard, que deve concorrer ao Oscar de atriz coadjuvante), contrastando com o sisudo e determinado Melvin Purvis, de Christian Bale.

Michael Mann brinca com o fato de Dillinger ter conquistado a simpatia dos norte-americanos e o coloca como o mocinho do seu filme, que pecou por se preocupar em fazer um espetáculo técnico e inovador (destaque para a tentativa de um flerte com o noir, mas ele errou a mão e muitas cenas ficaram escuras em demasia), mas se esqueceu de tratar os personagens e o roteiro de forma mais elaborada.

Inimigos Públicos não chega a empolgar, mas também não decepciona.

 

Ficha Técnica:

Título Original: Public Enemies

Direção: Michael Mann

Duração: 143 min.

País: EUA

Gênero: Drama

Escrito por Milena Azevedo \\ Tags: , , , , , ,

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 13/08/09 às 0h35 nas seções Notas. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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4 comentaram em “Quando os bandidos eram os mocinhos”

  1. Crasty Diz:

    Very interesting and amusing subject. I read with great pleasure.

  2. Milena Azevedo Diz:

    Thanks, Crasty!

  3. Cornelius Diz:

    Interesting and informative. But will you write about this one more?

  4. Milena Azevedo Diz:

    I guess I don´t need to write one more text about this filme, Cornelius. But you could be my guest and let me know your impressions about it, ok?

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