Qual é o ladrão que hoje em dia teria o topete de entrar numa delegacia de polícia, puxar conversa com os policiais e sair pela porta principal como se nada tivesse acontecido? Pra fazer algo desse tipo só mesmo o lendário assaltante de bancos John Dillinger, que se tornou Inimigo Público N°1 da América, durante o final da Grande Depressão e início do New Deal.

A figura carismática de John Dillinger já foi explorada por Hollywood em filmes nos quais ele era o protagonista, como Dillinger – Inimigo Público n° 1 (1973), de John Milius, e outros em que ele fora apenas co-adjuvante, como Assassino Público Número Um (1957), de Don Siegel, onde Mickey Rooney encarnou o comparsa de Dillinger, Baby Face Nelson.
Visando mostrar o jogo de gato e rato entre John Dillinger e o investigador federal Melvin Purvis, o diretor Michael Mann (Colateral, Miami Vice) adaptou o romance de Bryan Burrough “Public Enemies: America’s Greatest Crime Wave and the Birth of the FBI, 1933-1943” e fez um filme de gângster elegante e convincente, embora historicamente impreciso em algumas passagens.
Inimigos Públicos (Public Enemies – 2009) foca os anos de 1933 e 1934, quando Dillinger (Johnny Deep) consegue fugir da Prisão de Lima, em Ohio, libertando alguns membros da sua antiga gangue. Ele passa a estabelecer conexões com o crime organizado para saber que bancos são mais rentáveis e valem à pena serem assaltados. Nesse mesmo período, Melvin Purvis (Christina Bale), que fazia parte do grupo de investigadores comandados por J. Edgar Hoover, os G-Men (grupo esse que se tornaria o FBI), consegue capturar Pretty Boy Floyd e segue na trilha de Baby Face Nelson e John Dillinger.

Johnny Deep faz um Dillinger gentil, honesto, brincalhão, um tanto quanto presunçoso e arrogante, mas que se deixa cair de amores por uma moça chamada Billie Frechette (Marion Cotillard, que deve concorrer ao Oscar de atriz coadjuvante), contrastando com o sisudo e determinado Melvin Purvis, de Christian Bale.
Michael Mann brinca com o fato de Dillinger ter conquistado a simpatia dos norte-americanos e o coloca como o mocinho do seu filme, que pecou por se preocupar em fazer um espetáculo técnico e inovador (destaque para a tentativa de um flerte com o noir, mas ele errou a mão e muitas cenas ficaram escuras em demasia), mas se esqueceu de tratar os personagens e o roteiro de forma mais elaborada.
Inimigos Públicos não chega a empolgar, mas também não decepciona.
Ficha Técnica:
Título Original: Public Enemies
Direção: Michael Mann
Duração: 143 min.
País: EUA
Gênero: Drama
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 13/08/09 às 0h35 nas seções Notas. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
A segunda parte dele depende de você. Comente, ou faça um trackback de seu site. Só não deixe de participar, contanto que se use do bom senso. A moderação é feita, na medida do possível, durante o dia, e só bloqueará comentários ricos em má-fé. Pretendo responder aos mesmos no período da noite.
Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.
agosto 20th, 2009 at 20h29
Very interesting and amusing subject. I read with great pleasure.
agosto 21st, 2009 at 10h51
Thanks, Crasty!
agosto 22nd, 2009 at 0h59
Interesting and informative. But will you write about this one more?
agosto 23rd, 2009 at 22h02
I guess I don´t need to write one more text about this filme, Cornelius. But you could be my guest and let me know your impressions about it, ok?