Arquivo mensais:novembro 2015

Cena do espetáculo por Raiane Calistrato

Sobre Nuestra Senhora de las Nuvens e um passado que custa em ir embora

Voltou ao espaço do Barracão uma das montagens da trilogia latino-americana – Nuestra Senhora de las Nuvens, Abrazo e Dois Amores Y Un Bicho – que o grupo potiguar Clowns de Shakespeare estreou no final de 2014. Iniciativa de se aplaudir, como eles mesmos têm feito questão de lembrar: numa cidade sem teatros, manter uma peça em temporada de três finais de semana é quase uma afronta à sobrevida. Uma ode à resistência. O texto de Nuestra Senhora é do dramaturgo argentino Arístides Vargas, e assim como em outros espetáculos do grupo, a tradução e direção são de Fernando Yamamoto.
Cena do espetáculo por Raiane Calistrato
Vargas foi obrigado a se exilar durante a ditadura militar argentina e sua família, que permaneceu lá, sofreu as consequências quando ele passou a viver no Equador. O texto é, claramente, um emaranhado de recortes de sua experiência autobiográfica, com referências à sua clandestinidade e o reconhecimento de colegas que viveram o mesmo processo. Fossem compatriotas ou não. A narrativa acontece em dois tempos de ação: o relato dos que se encontram no exílio e relembram com nostalgia a época em que viviam em Nuestra Senhora de las Nuvens; e o tempo daquelas lembranças, que recupera o lugar de onde os exilados vieram em esquetes que duram alguns minutos e que parodiam o mundo de qualquer província.

Nesse “tempo das lembranças” há a memória do carnaval, o conto das origens do lugar em que todos são da mesma família (referências ao coronelismo político latino-americano não são mera coincidência), e alguns momentos de comédia escrachada, um pouco clownesca, como o relato de quando a mulher do maestro o fez passar vergonha diante de toda a orquestra. Tudo isso costurado com depoimentos de quem foi obrigado a viver fora de seu país porque não se conformou com o conformismo generalizado.

Foto: Raiane Calistrato

Foto: Raiane Calistrato

A direção contrasta o colorido do mundo das lembranças com o cinza dos relatos, extraindo, de um grupo um tanto irregular de quatro atores, performances destacáveis, que chocam e fazem rir a plateia. Um público que – pasmem – ainda se assusta com cenas de nudez. Mas é claro que existe um porém. Assim como as memórias de um exilado, bastante fragmentária e dispersa, o texto de Nuestra Senhora demora a engatar. Há momentos geniais e vários em que faz dispersar, como numa conversa muito longa em que o interlocutor muda de assunto várias vezes.

Foto: Raiane Calistrato

Foto: Raiane Calistrato

O figurino, de João Ricardo Aguiar e Maria de Jesus, ao lado da cenografia, também de Aguiar e  Fernando Yamamoto, são jóias que encantam e sedimentam o grupo como um dos grandes representantes do bom teatro contemporâneo brasileiro. Pode-se comparar o trabalho dos Clowns de Shakespeare com outros pelo Brasil e raramente se encontra uma produção tão esmerada em figurino quanto a deles. É teatro de encher os olhos, fazer admirar cada detalhe de uma cena.

Rafael Teles e Marco França são os responsáveis pela trilha sonora, que junta Gotan Project e temas de caixinha de música, outro deleite para o espectador. Ao lado da iluminação de Ronaldo Costa, complementam a bela construção visual de Nuestra Senhora de las Nuvens. Faltou à adaptação, no entanto, impiedade para cortar os excessos do texto. Dar mais liga à desconexão. Se fazia parte das intenções do autor, o intento não ficou claro e acaba funcionando mal no todo.

É um trabalho menor do grupo, que já fez adaptações redondas, como Muito Barulho por Quase Nada. Falta a magia de um texto bem conectado, daqueles que vai conduzindo a um clímax sem que ninguém se dê conta. Mas como relato de uma viagem com memórias que não se esquece, o espetáculo até que agrada. Porque nunca é demais contar esse tipo de história.

Grande elenco latino americano no drama Os 33

Os 33 e o orgulho chileno



Tinha tudo pra dar errado – quase dava – e se eu não soubesse como terminou teria passado alguns dos momentos mais angustiantes de minha vida no cinema. A história dos 33 mineiros que em 2010 foram soterrados enquanto trabalhavam na Mina San José, no Chile, e ficaram presos a 700 metros abaixo da superfície por nada menos que 68 dias finalmente virou filme. Mas aquelas afirmações também servem, em parte, para a obra cinematográfica. Tudo foi televisionado quase que na íntegra e sabemos como termina, e isso é o trunfo e ao mesmo tempo a desgraça de Os 33, drama dirigido por Patricia Riggen e que está atualmente em cartaz no Brasil.
Grande elenco latino americano no drama Os 33Trunfo porque a história é extraordinária por si, difícil de acreditar. Como disse um amigo, quando aconteceu já cheirava a roteiro de cinema. Se o encadeamento de fatos que levou ao sucesso do resgate não chegasse à tela grande seria decepção continental – e nisso incluo chilenos e latino americanos porque estamos todos acostumados a nos ver referidos na imprensa internacional apenas em tragédias e corrupção, e não em histórias de sucesso do engenho humano, como essa. A produção é didática e explica coisas pouco claras só pelos relatos jornalísticos. Eu não compreendia, por exemplo, como eles tiveram acesso a comida, cuidados médicos e até brindes enquanto estiveram soterrados.

Mas a desgraça aparece logo no começo, ao nos darmos conta de que o filme é todo falado em inglês. Com um elenco de bons atores latinos e espanhóis – incluindo o mineiro líder, interpretado por Antonio Banderas, e o chefe, na pele de Lou Diamond Phillips (La Bamba), além do galã espanhol Mario Casas – dá agonia ver gente boa interpretando num idioma que não é o seu. E mais, que não é o do país que realizou o feito de resgatar toda aquela gente. Espalhou-se uma anedota de que a diretora testou o elenco falando em inglês e em espanhol com sotaque chileno, e que a segunda opção teria sido muito mais difícil.

O filme também carrega muito nas tintas da emoção. Não bastasse o quão impactante foram os acontecimentos em si, precisava colocar violinos de fundo em quase todas as cenas e incluir tantos dramas familiares na narrativa? Isso se nota também no trabalho dos atores. Juliette Binoche, por exemplo, tem uma atuação digna do francês água com açúcar Chocolate. Aliás, Los 33 Cartelconta-se que Juliette Binoche entrou no elenco porque Jennifer Lopez não pôde. Mas insisto: a produção poderia ser mais latina; até Sonia Braga estaria bem melhor no papel que ficou com a francesa.

Falando em Sonia Braga, um dos destaques do filme para o público brasileiro é o personagem do Ministro de Minas chileno, defendido com competência por Rodrigo Santoro. Apesar de ele ter feito papeis melhores nos últimos anos, como em Heleno ou Não por Acaso, dá uma satisfação enorme ver um ótimo ator brasileiro em papel de destaque num filme que conta essa história de nossos vizinhos.

E aí fecho o círculo que comecei no primeiro parágrafo, falando de trunfo e desgraça. A história é vizinha, de patriotismo, um registro do orgulho chileno por uma realização fantástica. Esses fatos bastariam para fazer uma produção crua, direta, sem tantas firulas. Mas a intenção deve ter sido gerar uma obra internacional, para ser vendida a muitos países e agradar ao mercado norte americano, que não gosta de legendas; por isso, poderia dar errado. Mas vai acabar dando certo. Se pelo menos o mundo tomar conhecimento de que 33 homens ficaram presos no coração de uma montanha no deserto do Atacama, e contrariando todas as expectativas, foram resgatados com vida por uma equipe que não deixou de acreditar que isso seria possível.

Após o Anoitecer: entrando no universo pop de Haruki Murakami

O japonês Haruki Murakami é uma das figuras mais conhecidas da literatura contemporânea. Talvez porque, apesar de sua nacionalidade, sua carreira seja marcada por uma escrita que se aproxima do cânone ocidental, e suas narrativas sejam frequentemente descritas como colagem de referências da cultura pop. Em 2013 foi considerado o favorito para levar o Nobel de literatura, prêmio que eleva as vendas de qualquer um só pela posição no ranking de apostas. Após o Anoitecer (After Dark, lançado no Brasil em 2009, pela Alfaguara), seu décimo primeiro romance, aborda uma noite na vida das irmãs Eri e Mari, enquanto uma dorme um sono profundo e a outra passa a madrugada lendo em um bar depois de perder o último trem para casa, interrompida pela chegada de personagens noturnos em Tóquio. Por ser um volume pequeno, serve bem como introdução à obra do escritor japonês.

Cada capítulo começa com a imagem de um relógio que dita o tempo à medida em que a madrugada avança. O relato de Murakami é quase cinematográfico, com cortes nas cenas que deveriam ser retomadas depois, mas que muitas vezes são deixadas sem conclusão. As histórias desenvolvidas em cada capítulo nem sempre se cruzam, e o que fica claro é que o autor se esmera, sobretudo, na construção de imagens. Em sua narrativa, o leitor é convertido em espectador de cenas, como um guarda que observa o vaivém diante das câmeras de vigilância.

Pouco se sabe sobre os personagens e suas motivações sem que eles o digam explicitamente. E essa falha é do mesmo gênero das que estragam determinados roteiros de cinema. Em vez de delinear a caracterização do personagem, o autor o põe se auto explicando. O exemplo mais nítido disso é o de Takahashi, músico de jazz que se realiza ensaiando com a banda, mas que está se preparando para deixá-la. A longa conversa com Mari em que ele explica as razões que motivam sua mudança de vida é chata e um tanto contraditória: transforma uma figura que, em princípio, causa curiosidade, em alguém que precisa explicar intenções que não encaixam com seu perfil.

Os diálogos, portanto, costuram uma narrativa fragmentada, de forte inspiração na cultura pop. A doença pela qual passa a personagem de Eri, que poderia ser identificada como uma ansiedade contemporânea, fica sem profundidade. Seria ela vítima de uma fobia que a leva a se transformar na Bela Adormecida ou estaria encarcerada por um psicopata?

O fio desenvolvido a partir da história de Eri parece só servir aos papéis de sua irmã, Mari, que perambula pela noite sem querer voltar para casa, e de Takahashi, que apresenta os demais a Mari. A partir dessas relações se pode vislumbrar um retrato da noite de Tóquio – que poderia ser, diga-se, o de qualquer outra metrópole, mas que sai enriquecido. Existe certa beleza em observar os entrechoques da cultura contemporânea com as tradições nipônicas.

O escritor japonês Haruki Murakami

O escritor japonês Haruki Murakami

A música, presente em quase todas as obras de Murakami, é personagem adicional. Referências ao jazz e ao blues podem até soar anacrônicas, mas sugerem um contato com atmosferas de saudosismo e suspense, casando com o ritmo do passeio noturno. O problema desse formato de narrativa fragmentada e de construção de cenas é que elas atraem um leitor muito específico, quem está acostumado ao zapping ou à busca de vídeos no Youtube. Parece que as cenas não se fixam na memória e a narrativa carece de clímax.

Murakami, nesta obra, não estava disposto nem a caracterizações detalhadas de personagens e muito menos a grandes momentos. Sua intenção era, provavelmente, fazer um passeio por Tóquio durante uma noite, acompanhado por um punhado de gente sem rumo. No momento em que começamos a entendê-los e a identificar um conflito narrativo, acaba o filme. Ou melhor, o livro.

50 anos

por Rafael Duarte

Nos versos do samba “50 anos”, Aldir Blanc e Cristóvão Bastos são taxativos: “perdoo a todos, não peço desculpas: foi isso o que eu quis viver”. Embora tenha ganhado a voz de Paulinho da Viola no disco comemorativo pelas bodas de sangue de Blanc, a música não entrou no repertório do show em que o pupilo da Portela comemora, agora, cinco décadas de carreira. Mas os versos estão lá, na penumbra, entre um acorde e outro, macios como a voz do menestrel.

Paulinho viveu – e continua vivendo – o que realmente quis. Distante de polêmicas, sem saudosismos nem pedidos de desculpas. No documentário dirigido pelo jornalista Zuenir Ventura ele mesmo já se apropriara dos versos do samba de outra referência para se reafirmar. “Meu tempo é hoje”, de Wilson Batista, é mais uma das extensões do Paulinho da Viola, do Paulinho do bairro de Botafogo, do Paulinho da Portela.

Ouvir o Da Viola é como caminhar todos os dias pela manhã na praia da Redinha. Apesar de saber que aquele azul de que trata seu samba mais conhecido não era do céu nem era do mar, a elegância dos poucos passistas na areia intercalando bom dias e votos de felicidade aproximam o Paulinho da praia onde sopram os bons ventos das redes de pescar.Paulinho 50 Anos

No show em que comemora 50 anos de estrada, o Paulinho tímido e gigante se revela e se revê. Na companhia quase solitária do violão, começa voltando aos 14 anos de idade para seguir falando da vida. E aí, como num passe de mágica, o público redescobre que o Brasil já viveu e sofreu um dia só por amor. Enquanto os sambas saem feito água de coco do palco, ora do violão ora do cavaquinho, o preconceito, a intolerância e o ódio tão presentes no cotidiano de agora se escondem. É quando Paulinho nos atualiza ensinando que há certos tipos de dor que, de fato, não tem razão.

O lirismo de Paulinho da Viola é inspirador. O repertório dos 50 anos passeia por várias fases da carreira do compositor. Tal qual uma delicada caixinha de música, dali surgem histórias escolhidas a dedo, fundamentais para compreender a formação de quem, para muitos, é o sucessor do baluarte Paulo da Portela, patrono da Velha Guarda.

Apesar do samba que corre nas veias, Paulinho também reverencia o choro. Está ali a origem de tudo. Das reuniões em casa com músicos refinados, da parceria do pai César Farias com Jacob do Bandolim por 30 anos. Ponto para a direção do espetáculo. É hora de assistir o passado. Sentado no banquinho, de olho na tabela entre o piano e o clarinete, Paulinho contempla o choro “Inesquecível”, composto em 1964. É o momento mais intimista do show, o encontro entre Da Viola e o moleque Paulinho.

A história da parceria com Hermínio Belo de Carvalho em “Sei lá, Mangueira”, que termina no clássico “Foi um rio que passou em minha vida”, é um desses registros para quem ouviu não esquecer. Outro momento mágico é quando revela o pedido de Rubens Santos, um dos parceiros de Lupicínio Rodrigues, que reclamara antes de um show a forma como uma de suas canções estava sendo tocada e gravada, diferente da versão original. E desde então “Nervos de aço” nunca mais foi a mesma na trajetória do sambista.

Além de Lupicínio e Hermínio, Paulinho estende o tapete vermelho para Walter Alfaiate, Noca da Portela, o conjunto Rosas de Ouro e a turma do Zicartola, onde tudo começou profissionalmente. E dá aos músicos anônimos de Botafogo, bairro onde nasceu, a mesma importância dos grandes mestres consagrados.

Nessa briga eterna de cada dia onde, invariavelmente, o passado é condenado a ser melhor e mais importante que o presente, viver no tempo de Paulinho da Viola é dispensar o tempo. Ouvi-lo é como dormir e acordar em paz ainda que com a velha dúvida de sempre: por onde andou meu coração?

*Rafael Duarte é jornalista

O monstro de 1 bilhão de dólares

Falar de Tubarão em 2015 é difícil. Já vimos Parque dos Dinossauros, Avatar, O Senhor dos Aneis e uma infinidade de outros expoentes dos efeitos especiais. Assistir a um suspense situado numa minúscula cidade costeira em que um punhado de gente se apavora diante de um tubarão mecânico parece um pouco… ultrapassado. Mas acabei vendo Tubarão na tela grande semana passada e o filme me arrebatou. Já sabia de algumas coisas sobre os bastidores dele, como o fato de que Spielberg teve ataques de pânico por medo de não conseguir terminá-lo, ou a circunstância de que o roteiro era construído a cada noite, já nas filmagens. Mas faltava mais. Faltava sentir o efeito que essa produção de 1975 gerou em multidões, já que o filme é, até hoje, a sétima maior bilheteria de todos os tempos.

Cena de TubarãoPrimeiro detalhe louvável é que muitos dos que atuam em Tubarão são amadores. Isso ajuda bastante na identificação do público com o filme, apesar das caras conhecidas de Richard Dreyfuss e Robert Shaw. Steven Spielberg queria essa impressão de gente “anônima” pra fazer as pessoas acreditarem que aquele terror poderia acontecer comigo ou com você. É interessante também que não há aquele excesso de gente bonita como costumamos ver nos filmes de praia atuais. O resultado é que as personagens são factíveis, palpáveis, e é possível conectar com cada uma delas. Imagine você se a Elizabeth Taylor fosse escolhida para ser a mulher do delegado. Pois é.

Existe, além disso, um cuidado especial com planos-sequência, cortes e tomadas. Hitchcock usou um truque simples para emendar pedaços de rolo e dirigir Festim Diabólico como o primeiro filme em plano-sequência, fazendo as junções usando os momentos de foco nas cores escuras do baú ou dos ternos dos personagens. Spielberg se aproveitou das transições. Na cena da praia, quando os cortes são pautados pela passagem dos banhistas, ganha-se em realismo – quem nunca foi interrompido numa observação por uma pessoa que passa na frente? – e em angústia, já que a alternância do rosto do delegado com a visão do mar dá a impressão de que o tubarão pode aparecer a qualquer hora.
Jaws
Há ainda o plano da balsa, sem cortes, quando o prefeito pressiona o delegado para que não feche as praias. O fato de que em nenhum momento se mostra de frente a “autópsia” do tubarão tigre, por exemplo. Ou o enquadramento de cima do mastro do barco, que faz o espectador se voltar para o microcosmo criado ali, independentemente do que há no mar. Tubarão já vale só  pela observação dessa série de tomadas e enquadramentos que, no conjunto, tornam um filme bonito sem que saibamos definir a razão.

Mas sua principal qualidade, a meu ver, é a demonstração de que o tempo da narrativa é essencial para fazer um bom suspense, a despeito dos efeitos especiais. O filme anunciou o que seria a era dos blockbusters, ao custar 10 milhões de dólares e render mais de 1 bilhão, em valores atualizados. George Lucas ficou preso dentro do tubarão mecânico enquanto ele era construído, porque aquela boca enorme travou e não abria mais. Apesar do investimento e dos esforços aplicados pra fazer uma história minimamente realista, é no que se espera e no que não vê que está a graça. A brincadeira das crianças no barquinho atracado junto ao píer, a longa conversa entre o oceanógrafo e o pescador no barco, o mergulho exploratório do personagem de Dreyfuss. Poucas vezes vemos o tubarão, mas o medo incomoda, enerva. E, convenhamos, quem de nós não tem até hoje medo de ataque de um bicho daqueles ao nadar no mar? Sem nunca ter nem visto um.